quinta-feira, 14 de abril de 2011

Da Guerrilha á presidência

No dia 1º de Abril de 1964 o Brasil mergulha em uma nova fase da sua história. Durante 21 anos o país viveu um regime de governo militar, que marcou a nação, seu povo e suas instituições. Foram duas décadas de confronto entre forças políticas e sociais. Neste conflito ambos os lados, governo e oposição, utilizaram todos os seus recursos: censura, terrorismo, tortura e guerrilha.
O assunto ditadura militar voltou a cena com grande peso, desde o anúncio da candidatura de Dilma Roussef . Ela foi uma das militantes políticas desta época e sua entrada para a política teve início justamente em 1964 quando  prestou concurso e entrou para o Colégio Estadual Central (atual Escola Estadual Governador Milton Campos), ingressando na primeira série do ensino médio. Nesta escola pública o movimento estudantil estava em polvorosa graças ao recente golpe militar. Em palavras da própria Dilma foi nesta escola que fiquei "bem subversiva" e que percebi que o mundo não era para "debutante".


O primeiro movimento do qual Dilma fez parte foi o Polop, fundado em 1961, que tinha suas raízes fincadas no Partido Socialista Brasileiro e era contrária à linha do Partido Comunista Brasileiro e que deu origem a várias outras organizações.
Ainda em 1964, depois do golpe que depôs João Goulart, a Polop tentou armar uma guerrilha para derrubar o regime militar no Vale do Rio Doce, mas o projeto foi descoberto ainda em fase de planejamento. A partir deste projeto de guerrilha no Vale do Rio Doce, em 1967, tem início à chamada Guerrilha do Caparaó, liderada por militantes do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR)
Os militantes da Polop começaram a discordar quanto ao método usado para a implantação do socialismo: de um lado defendiam a convocação de uma assembleia constituinte, por outro lado optavam pela luta armada. Dilma decidiu-se pela segunda opção. Esta fragmentação em 1967 levaria aos que escolheram a luta armada a fundar o Comando de Libertação Nacional (Colina), em Minas Gerais, enquanto, em São Paulo, uma "ala esquerda" da organização uniu-se a militantes remanescentes do MNR para constituir a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). De acordo com Apolo Heringer, que foi um dos diretores do Colina, Dilma  assim como tantos outros se decidiu pela armada após ler Revolução na Revolução, de Régis Debray.
É neste período que Dilma conheceu Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, ingressado na Polop desde 1962 e defensor da luta armada. Este viria a ser seu marido após um ano de namoro.
Sentando em um dos muitos “cafés” do Edifício Maleta no centro de Belo Horizonte, Conrado Silva*, tem hoje 86 anos e participou do Colina. Ele afirma que em 1969 não havia muitos militantes em Belo Horizonte. “Não tínhamos dinheiro, nem pousada fixa, pois o medo da repressão nos fazia mudar constantemente”. Neste período um assalto a banco causou uma grande confusão; a casa onde estavam foi invadida ao que a militância respondeu com uma metralhadora, matando dois policiais e ferindo um.
A partir daí Dilma e Galeno passaram a dormir cada noite em um local diferente. A casa dos pais já não era segura, então após alguns meses em Belo Horizonte o casal se transfere para o Rio de Janeiro. Lá eles encontraram o também mineiro Fernando Pimentel.
No Rio, Dilma tinha 21 anos e era tida como uma das líderes. Ela não podia ir a combate, sua prisão tornaria as coisas muito difíceis para a organização, lembra Conrado Silva*.
A mudança para Porto Alegre viria através da transferência de seu marido pela organização para a cidade. Dilma conheceu o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo por quem se apaixonou durante as reuniões e com quem viveria 30 anos, a separação em palavras do próprio Galeno foi pacífica, "naquela situação difícil, nós não tínhamos nenhuma perspectiva de formar um casal normal”.
 A VAR-PALMARES se definia como "uma organização político-militar de caráter partidário, marxista-leninista, que se propõe a cumprir todas as tarefas da guerra revolucionária e da construção do Partido da Classe Operária, com o objetivo de tomar o poder e construir o socialismo”. Surgiu da fusão de outros movimentos inclusive o Colina e Carlos Araújo foi escolhido para ser um dos líderes.
Ainda em 1969, de acordo com a Revista Veja, Dilma foi uma das mentoras de um grande assalto a banco, aliás considerado o maior da história terrorista, foram levados 2,5 milhões de dólares.
Em 16 de Janeiro de 1970, Dilma passaria talvez pela maior provação da sua militância política, em uma cilada armada para um outro colega ela aparece e é presa. "Ela foi muito mulher, suportou de tudo, a gente sabia o que ia acontecer, mas ela não abriu a boca, foram mais de 20 dias de tortura e nada", relata Conrado*. Carlos Araújo é preso em 12 de agosto do mesmo ano.
Dilma foi libertada em 1972. Muda-se para Porto Alegre, onde Carlos Araújo terminava de cumprir pena. Ele foi solto em 1974.
Depois que ela saiu da prisão nunca mais a vi  pessoalmente, fiquei preso 3 anos e quando sai, parecia que eu estava em mundo completamente diferente, acho que até hoje não me recuperei. Depois voltei para Minas e para minha cidade natal, estava cansando, só apareci novamente para a campanha das Diretas Já, completa Silva.
O AI-5 previa que Dilma não poderia continuar o curso iniciado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Deste modo presta vestibular para economia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul em 1973 e forma-se em 1977. Após a prisão, Dilma não conseguiu se manter distante da militância política e ingressa Instituto de Estudos Políticos e Sociais (IEPES), ligado ao então único partido legalizado de oposição, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).
De acordo com relatos da época em 1977, o nome de Dilma foi divulgado no jornal O Estado de São Paulo como sendo um dos 97 subversivos introduzidos na máquina pública. Dilma, qualificada como militante da VAR-Palmares e do COLINA e "amasiada com o subversivo" Carlos Araújo, foi, em consequência, exonerada da FEE, sendo, contudo, anistiada mais tarde.
Em 1978 ela ingressa na Universidade Estadual de Campinas, com o intuito de fazer mestrado. Este fato ainda gera polémica. Dilma declarou que "Fiz o curso de mestrado, mas não o concluí e não fiz dissertação. Foi por isso que voltei à universidade para fazer o doutorado. E aí eu virei ministra e não concluí o doutorado." A universidade informa que ela nunca se matriculou oficialmente no mestrado.
O entrevistado não revelou seu verdadeiro nome por medo.

Leia mais:
Dilma e suas companheiras
Caminho, armas em punho
Dilma Roussef e sua família
Estilo e simplicidade sem descer do salto

quinta-feira, 24 de março de 2011

Nafta, um bloco elitizado


Blocos econômicos são associações de países que estabelecem relações econômicas privilegiadas entre si.
Os blocos econômicos classificam-se em zona de livre comércio, união aduaneira, mercado comum e união econômica e monetária. Na zona de livre comércio, há redução ou a eliminação das taxas alfandegárias que incidem sobre a troca de mercadorias dentro do bloco. A união aduaneira, além de abrir mercados inteiros, regulamenta o comércio dos países-membros com nações externas ao bloco. Já o mercado comum garante a livre circulação de pessoas, serviços e capitais.
Pode-se dizer que a primeira formação de um bloco econômico aconteceu próximo ao fim da 2º Guerra Mundial, com a criação do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo). Após a guerra, a idéia de integração econômica baseada em uma economia supranacional começou a ganhar força na Europa Ocidental.
Diante da força crescente norte americana e soviética, os países europeus firmaram alguns acordos com o objetivo de unir o continente e garantir competitividade econômica.  Após esse período o Benelux foi desfeito, permanecendo apenas a Comunidade Econômica Européia (CEE), criada em 1957 e transformada em 1992 em União Européia (UE).
Alguns dos principais blocos econômicos atuais são: União Européia, Apec, Pacto Andino, Mercosul, Nafta.
Em 1992 é criado o NAFTA -North American Free Trade Agreement (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) reunindo EUA, Canadá e México. O Bloco entra em funcionamento de fato em 1994 com um prazo de 15 anos para a total eliminação das barreiras alfandegárias entre os três países de forma que deveria estar aberto a todos os Estados da América Central e do Sul.
O Nafta prevê um acordo em que se forme uma zona de livre comércio para a atuação e proliferação das empresas em um espaço protegido, derrubando as tarifas alfandegárias. Além de ajustar a economia dos países membros, para ganhar competitividade no cenário de globalização econômica;
e aumentar as exportações de mercadorias e serviços entre os países membros.
O bloco econômico do NAFTA abriga uma população de 417,6 milhões de habitantes, produzindo um PIB de US$ 11.405,2 trilhões, que gera US$ 1.510,1 trilhão de exportações e US$ 1.837,1 trilhão de importações.
Alguns dos principais problemas deste bloco é a diferença social  entre mexicanos e norte americanos.


Uma grande concessão foi feita pelo México, no acesso ao seu mercado de serviços bancários, que foi liberalizado a um nível mais amplo que o dos EUA. De fato, no México, foi estabelecida a possibilidade de se constituir "holdings" financeiras, que poderão operar bancos, corretoras de valores, empresas de seguros, de "leasing" e de "factoring”.
Ainda na área de comércio de serviços, o grande desapontamento vem nas restrições, por parte dos EUA, com relação à movimentação de pessoas, mantida em níveis elevadíssimos. É sabido que a prestação de serviços requer mão de obra intensiva e que hoje as indústrias de serviços representam cerca de 60% do comércio mundial. Com as presentes restrições à movimentação de seus cidadãos membros do NAFTA, o México será apenas um país consumidor de serviços dentro da zona de livre comércio.

A imigração ilegal é um problema para os
Estados Unidos e um trunfo para os negociadores mexicanos, que, como forma de combatê-la, buscam atrair novos investimentos do vizinho rico para o seu território. A concentração desses investimentos no norte do país – configurada em complexos industriais originados dos capitais norte-americanos e voltados para o mercado de consumo dos Estados Unidos – tem ampliado os profundos contrastes regionais que caracterizam o México.




domingo, 13 de fevereiro de 2011

Tema de pesquisa



Ingressar numa faculdade é o sonho de milhões de brasileiros, ao mesmo tempo em que o final do curso superior representa uma grande vitória para outros tantos milhões.
Mas, a fase final vem carregada de dúvidas, a principal delas sobre a temida monografia. Eis a grande questão: o tema da pesquisa.

A estudante do 7º período de jornalismo Efigênia Souza se vê diante deste impasse.
Escolher o curso superior foi bem mais simples já que para ela comunicação social representa um elo entre as pessoas.
“Penso que o trabalho de conclusão de curso deve ser feito com muito carinho e cuidado, utilizando todos os conhecimentos adquiridos no decorrer do curso, por isso provavelmente farei á pesquisa sobre Belo Horizonte, sendo mais especifica pretendo questionar o papel da imprensa na divulgação da arte na capital mineira“, afirma Efigênia.

Não é segredo que Minas Gerais é o berço de grandes artistas de renome. Entretanto, ás vezes parece que a arte mineira fica um pouco esquecida, sem o devido e merecido destaque. Muitas pessoas associam isso ao fato de que os mineiros são conhecidos como quietinhos, “come – pelas- beiradas” e assim por diante.
Um dos grandes exemplos da visibilidade artística belo-horizontina é o grupo de teatro Galpão, que não se limita apenas a capital do nosso estado, mas viaja o Brasil todo.

Qual será o verdadeiro papel da comunicação na divulgação da arte na capital mineira?




segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011